A Importância do
Brincar na Educação Infantil
Índice
1. RESUMO
O presente artigo visa analisara
importância do brincar no desenvolvimento e aprendizagem na educação infantil.
Tem como objetivo conhecer o significado do brincar, conceituar os principais
termos utilizados para designar o ato de brincar, tornando-se também
fundamental compreender o universo lúdico, onde a criança comunica-se consigo
mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações
sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente, e ainda, os
benefícios que o brincar proporciona no ensino-aprendizagem infantil. Ainda
este estudo traz algumas considerações sobre os jogos, brincadeiras e
brinquedos e como influenciam na socialização das crianças. Portanto, para
realizar este trabalho, utilizamos a pesquisa bibliográfica, fundamentada na
reflexão de leitura de livros, artigos, revistas e sites, bem como pesquisa de
grandes autores referente a este tema. Desta forma, este estudo proporcionará
uma leitura mais consciente acerca da importância do brincar na vida do ser
humano, e, em especial na vida da criança.
Palavras-chave: Brincar,
aprendizagem e desenvolvimento infantil, educação infantil.
2. INTRODUÇÃO
Brincar é uma importante forma de
comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano.O
ato de brincar possibilita o processo de aprendizagem da criança, pois facilita
a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade, estabelecendo, desta
forma, uma relação estreita entre jogo e aprendizagem.
Para definir a brincadeira infantil,
ressaltamos a importância do brincar para o desenvolvimento integral do ser
humano nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo.
Para tanto, se faz necessário conscientizar os pais, educadores e sociedade em
geral sobre à ludicidade que deve estar sendo vivenciada na infância, ou seja,
de que o brincar faz parte de uma aprendizagem prazerosa não sendo somente
lazer, mas sim, um ato de aprendizagem. Neste contexto, o brincar na educação
infantil proporciona a criança estabelecer regras constituídas por si e em
grupo, contribuindo na integração do indivíduo na sociedade. Deste modo, à
criança estará resolvendo conflitos e hipóteses de conhecimento e, ao mesmo
tempo, desenvolvendo a capacidade de compreender pontos de vista diferentes, de
fazer-se entender e de demonstrar sua opinião em relação aos outros. É
importante perceber e incentivar a capacidade criadora das crianças, pois esta
se constitui numa das formas de relacionamento e recriação do mundo, na
perspectiva da lógica infantil.
Neste sentido, o objetivo central
deste estudo é analisar a importância do brincar na Educação Infantil,pois,
segundo os autores pesquisados, este é um período fundamental para a criança no
que diz respeito ao seu desenvolvimento e aprendizagem de forma significativa.
3. As implicações
do ato de brincar no desenvolvimento infantil
Brincar, segundo o dicionário Aurélio
(2003), é "divertir-se, recrear-se, entreter-se, distrair-se,
folgar", também pode ser "entreter-se com jogos infantis", ou
seja, brincar é algo muito presente nas nossas vidas, ou pelo menos deveria
ser.
Segundo Oliveira (2000) o brincar não
significa apenas recrear, é muito mais, caracterizando-se como uma das formas
mais complexas que a criança tem de comunicar-se consigo mesma e com o mundo,
ou seja, o desenvolvimento acontece através de trocas recíprocas que se
estabelecem durante toda sua vida.Assim, através do brincar a criança pode
desenvolver capacidades importantes como a atenção, a memória, a imitação, a
imaginação, ainda propiciando à criança o desenvolvimento de áreas da
personalidade como afetividade, motricidade, inteligência, sociabilidade e
criatividade.
Vygotsky (1998), um dos
representantes mais importantes da psicologia histórico-cultural, partiu do
princípio que o sujeito se constitui nas relações com os outros, por meio de
atividades caracteristicamente humanas, que são mediadas por ferramentas
técnicas e semióticas. Nesta perspectiva, a brincadeira infantil assume uma
posição privilegiada para a análise do processo de constituição do sujeito,
rompendo com a visão tradicional de que ela é uma atividade natural de
satisfação de instintos infantis. Ainda, o autor refere-se à brincadeira como
uma maneira de expressão e apropriação do mundo das relações, das atividades e
dos papéis dos adultos. A capacidade para imaginar, fazer planos, apropriar-se
de novos conhecimentos surge, nas crianças, através do brincar. A criança por
intermédio da brincadeira, das atividades lúdicas, atua, mesmo que
simbolicamente, nas diferentes situações vividas pelo ser humano, reelaborando
sentimentos, conhecimentos, significados e atitudes.
De acordo com o Referencial
Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 27, v.01):
O principal
indicador da brincadeira, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto
brincam. Ao adotar outros papéis na brincadeira, as crianças agem frente à
realidade de maneira não-literal, transferindo e substituindo suas ações
cotidianas pelas ações e características do papel assumido, utilizando-se de objetos
substitutos.
Zanluchi (2005, p. 89) reafirma que
“Quando brinca, a criança prepara-se a vida, pois é através de sua atividade
lúdica que ela vai tendo contato com o mundo físico e social, bem como vai
compreendendo como são e como funcionam as coisas.” Assim, destacamos que
quando a criança brinca, parece mais madura, pois entra, mesmo que de forma
simbólica, no mundo adulto que cada vez se abre para que ela lide com as
diversas situações.
Portanto, a brincadeira é de
fundamental importância para o desenvolvimento infantil na medida em que a
criança pode transformar e produzir novos significados. Nas situações em que a
criança é estimulada, é possível observar que rompe com a relação de
subordinação ao objeto, atribuindo-lhe um novo significado, o que expressa seu
caráter ativo, no curso de seu próprio desenvolvimento.
4. A importância do
brincar no universo lúdico (jogos, brincadeiras e brinquedos)
O ato de brincar acontece em
determinados momentos do cotidiano infantil, neste contexto, Oliveira (2000)
aponta o ato de brincar, como sendo um processo de humanização, no qual a
criança aprende a conciliar a brincadeira de forma efetiva, criando vínculos
mais duradouros. Assim, as crianças desenvolvem sua capacidade de raciocinar,
de julgar, de argumentar, de como chegar a um consenso, reconhecendo o quanto
isto é importante para dar início à atividade em si.
O brincar se torna importante no
desenvolvimento da criança de maneira que as brincadeiras e jogos que vão
surgindo gradativamente na vida da criança desde os mais funcionais até os de
regras. Estes são elementos elaborados que proporcionarão experiências,
possibilitando a conquista e a formação da sua identidade. Como podemos
perceber, os brinquedos e as brincadeiras são fontes inesgotáveis de interação
lúdica e afetiva. Para uma aprendizagem eficaz é preciso que o aluno construa o
conhecimento, assimile os conteúdos. E o jogo é um excelente recurso para
facilitar a aprendizagem, neste sentido, Carvalho (1992, p.14) afirma que:
(...) desde muito
cedo o jogo na vida da criança é de fundamental importância, pois quando ela
brinca, explora e manuseia tudo aquilo que está a sua volta, através de
esforços físicos se mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter
sentimentos de liberdade, portanto, real valor e atenção as atividades
vivenciadas naquele instante.
Carvalho (1992, p.28) acrescenta,
mais adiante:
(...) o ensino
absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto significativo e
afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da criança, já que ela se
modifica de ato puramente transmissor a ato transformador em ludicidade,
denotando-se, portanto em jogo.
As ações com o jogo devem ser criadas
e recriadas, para que sejam sempre uma nova descoberta e sempre se transformem
em um novo jogo, em uma nova forma de jogar. Quando a criança brinca, sem
saber fornece várias informações a seu respeito, no entanto, o brincar pode ser
útil para estimular seu desenvolvimento integral, tanto no ambiente familiar,
quanto no ambiente escolar.
É brincando também que a criança
aprende a respeitar regras, a ampliar o seu relacionamento social e a respeitar
a si mesma e ao outro. Por meio da ludicidade a criança começa a expressar-se
com maior facilidade, ouvir, respeitar e discordar de opiniões, exercendo sua
liderança, e sendo liderados e compartilhando sua alegria de brincar. Em
contrapartida, em um ambiente sério e sem motivações, os educandos acabam
evitando expressar seus pensamentos e sentimentos e realizar qualquer outra
atitude com medo de serem constrangidos. Zanluchi (2005, p.91) afirma que “A
criança brinca daquilo que vive; extrai sua imaginação lúdica de seu
dia-a-dia.”, portanto, as crianças, tendo a oportunidade de brincar, estarão
mais preparadas emocionalmente para controlar suas atitudes e emoções dentro do
contexto social, obtendo assim melhores resultados gerais no desenrolar da sua
vida.
Entretanto, Vygotsky (1998) toma como
ponto de partida a existência de uma relação entre um determinado nível de
desenvolvimento e a capacidade potencial de aprendizagem. Defende a ideia de
que, para verificar o nível de desenvolvimento da criança, temos que determinar
pelo menos, dois níveis de desenvolvimento. O primeiro deles seria o nível de
desenvolvimento efetivo, que se faz através dos testes que estabelecem a idade
mental, isto é, aqueles que a criança é capaz de realizar por si mesma, já o
segundo deles se constituiria na área de desenvolvimento potencial, que se
refere a tudo aquilo que a criança é capaz de fazer com a ajuda dos demais,
seja por imitação, demonstração, entre outros. O que a criança pode fazer
hoje com a ajuda dos adultos ou dos iguais certamente fará amanhã sozinha.
Assim, isso significa que se pode examinar, não somente o que foi produzido por
seu desenvolvimento, mas também o que se produzira durante o processo de
maturação.
Para Vygotsky, citado por Baquero
(1998), a brincadeira, o jogo são atividades específicas da infância, na quais
a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos. É uma atividade com
contexto cultural e social. O autor relata sobre a zona de desenvolvimento
proximal que é a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado
pela capacidade de resolver, independentemente, um problema, e o nível de
desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema, sob
a orientação de um adulto, ou de um companheiro mais capaz.
Na visão de Vygotsky (1998) o jogo
simbólico é como uma atividade típica da infância e essencial ao
desenvolvimento infantil, ocorrendo a partir da aquisição da representação
simbólica, impulsionada pela imitação. Desta maneira, o jogo pode ser
considerado uma atividade muito importante, pois através dele a criança cria
uma zona de desenvolvimento proximal, com funções que ainda não amadureceram,
mas que se encontram em processo de maturação, ou seja, o que a criança irá
alcançar em um futuro próximo. Aprendizado e desenvolvimento estão
inter-relacionados desde o primeiro dia de vida, é fácil concluir que o
aprendizado da criança começa muito antes de ela freqüentar a escola. Todas as
situações de aprendizado que são interpretadas pelas crianças na escola já têm
uma história prévia, isto é, a criança já se deparou com algo relacionado do
qual pode tirar experiências.
Vygotsky (1998, p. 137) ainda afirma
“A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do
significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no
pensamento e situações reais”. Essas relações irão permear toda a atividade
lúdica da criança, serão também importantes indicadores do desenvolvimento da
mesma, influenciando sua forma de encarar o mundo e suas ações futuras.
Santos (2002, p. 90) relata que
“(...) os jogos simbólicos, também chamados brincadeira simbólica ou
faz-de-conta, são jogos através dos quais a criança expressa capacidade de
representar dramaticamente.” Assim, a criança experimenta diferentes papéis e funções
sociais generalizadas a partir da observação do mundo dos adultos. Neste
brincar a criança age em um mundo imaginário, regido por regras semelhantes ao
mundo adulto real, sendo a submissão às regras de comportamento e normas
sociais a razão do prazer que ela experimenta no brincar.
De acordo com Vygotsky (1998), ao
discutir o papel do brinquedo, refere-se especificamente à brincadeira de
faz-de-conta, como brincar de casinha, brincar de escolinha, brincar com um
cabo de vassoura como se fosse um cavalo. Faz referência a outros tipos de
brinquedo, mas a brincadeira faz-de-conta é privilegiada em sua discussão sobre
o papel do brinquedo no desenvolvimento. No brinquedo, a criança sempre se
comporta além do comportamento habitual, o mesmo contém todas as tendências do
desenvolvimento sob forma condensada, sendo ele mesmo uma grande fonte de
desenvolvimento.
A criança se torna menos dependente
da sua percepção e da situação que a afeta de imediato, passando a dirigir seu
comportamento também por meio do significado dessa situação, Vygotsky (1998,
p.127) relata que “ No brinquedo, no entanto, os objetos perdem sua força
determinadora. A criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação
àquilo que vê. Assim, é alcançada uma condição em que a criança começa a agir
independentemente daquilo que vê.” No brincar, a criança consegue separar
pensamento, ou seja, significado de uma palavra de objetos, e a ação surge das
idéias, não das coisas.
Segundo Craidy & Kaercher (2001)
Vygotsky relata novamente que quando uma criança coloca várias cadeiras uma
através da outra e diz que é um trem, percebe-se que ela já é capaz de
simbolizar, esta capacidade representa um passo importante para o
desenvolvimento do pensamento da criança. Brincando, a criança exercita suas
potencialidades e se desenvolve, pois há todo um desafio, contido nas situações
lúdicas, que provoca o pensamento e leva as crianças a alcançarem níveis de
desenvolvimento que só as ações por motivações essenciais conseguem. Elas
passam a agir e esforça-se sem sentir cansaço, não ficam estressadas porque
estão livres de cobranças, avançam, ousam, descobrem, realizam com alegria,
sentindo-se mais capazes e, portanto, mais confiantes em si mesmas e
predispostas a aprender. Conforme afirma Oliveira (2000, p. 19):
O brincar, por ser
uma atividade livre que não inibe a fantasia, favorece o fortalecimento da
autonomia da criança e contribui para a não formação e até quebra de estruturas
defensivas. Ao brincar de que é a mãe da boneca, por exemplo, a menina não
apenas imita e se identifica com a figura materna, mas realmente vive
intensamente a situação de poder gerar filhos, e de ser uma mãe boa, forte e
confiável.
Nesse caso, a brincadeira favorece o
desenvolvimento individual da criança, ajuda a internalizar as normas sociais e
a assumir comportamentos mais avançados que aqueles vivenciados no cotidiano,
aprofundando o seu conhecimento sobre as dimensões da vida social.
Segundo Vygotsky, Luria &
Leontiev (1998, p. 125) O brinquedo “(...) surge a partir de sua necessidade de
agir em relação não apenas ao mundo mais amplo dos adultos.”, entretanto, a
ação passa a ser guiada pela maneira como a criança observa os outros agirem ou
de como lhe disseram, e assim por diante. À medida que cresce, sustentada pelas
imagens mentais que já se formou, a criança utiliza-se do jogo simbólico para
criar significados para objetos e espaços.
Assim, seguindo este estudo os
processos de desenvolvimento infantil apontam que o brincar é um importante
processo psicológico, fonte de desenvolvimento e aprendizagem. De acordo com
Vygotsky (1998), um dos principais representantes dessa visão, o brincar é uma
atividade humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem
na produção de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos,
crianças e/ou adultos. Tal concepção se afasta da visão predominante da
brincadeira como atividade restrita à assimilação de códigos e papéis sociais e
culturais, cuja função principal seria facilitar o processo de socialização da
criança e a sua integração à sociedade.
5.
Ensino-aprendizagem através do brincar na infância
Na educação de modo geral, e
principalmente na Educação Infantil o brincar é um potente veículo de
aprendizagem experiencial, visto que permite, através do lúdico, vivenciar a
aprendizagem como processo social. A proposta do lúdico é promover uma
alfabetização significativa na prática educacional, é incorporar o conhecimento
através das características do conhecimento do mundo. O lúdico promove o
rendimento escolar além do conhecimento, oralidade, pensamento e o
sentido. Assim, Goés (2008, p 37), afirma ainda que:
(...) a atividade
lúdica, o jogo, o brinquedo, a brincadeira, precisam ser melhorado,
compreendidos e encontrar maior espaço para ser entendido como educação. Na
medida em que os professores compreenderem toda sua capacidade potencial de
contribuir no desenvolvimento infantil, grandes mudanças irão acontecer na
educação e nos sujeitos que estão inseridos nesse processo.
Contudo, compreender a relevância do
brincar possibilita aos professores intervir de maneira apropriada, não
interferindo e descaracterizando o prazer que o lúdico proporciona. Portanto, o
brincarutilizado como recurso pedagógico não deve ser dissociado da atividade
lúdica que o compõe, sob o risco de descaracterizar-se, afinal, a vida escolar
regida por normas e tempos determinados, por si só já favorece este mesmo
processo, fazendo do brincar na escola um brincar diferente das outras
ocasiões. A incorporação de brincadeiras, jogos e brinquedos na prática
pedagógica, podem desenvolver diferentes atividades que contribuem para
inúmeras aprendizagens e para a ampliação da rede de significados construtivos
tanto para crianças como para os jovens.
Para Vygotsky (1998), o educador
poderá fazer o uso de jogos, brincadeiras, histórias e outros, para que de
forma lúdica a criança seja desafiada a pensar e resolver situações
problemáticas, para que imite e recrie regras utilizadas pelo adulto.
O lúdico pode ser utilizado como uma
estratégia de ensino e aprendizagem, assim o ato de brincar na escola sob a
perspectiva de Lima (2005) está relacionada ao professor que deve apropriar-se
de subsídios teóricos que consigam convencê-lo e sensibilizá-lo sobre a
importância dessa atividade para aprendizagem e para o desenvolvimento da
criança. Oliveira (1997, p. 57) acrescenta o fato que a:
Aprendizagem é o
processo pelo qual o indivíduo adquire informações, habilidades, atitudes,
valores, etc. a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente, as
outras pessoas. É um processo que se diferencia dos fatores inatos (a
capacidade de digestão, por exemplo, que já nasce com o indivíduo) e dos
processos de maturação do organismo, independentes da informação do ambiente (a
maturação sexual, por exemplo). Em Vygotsky, justamente por sua ênfase nos
processos sócio-históricos, a idéia de aprendizado inclui a interdependência
dos indivíduos envolvidos no processo. (...) o conceito em Vygotsky tem um
significado mais abrangente, sempre envolvendo interação social.
Com isso, é possível entender que o
brincar auxilia a criança no processo de aprendizagem. Ele vai proporcionar
situações imaginárias em que ocorrerá no desenvolvimento cognitivo e
facilitando a interação com pessoas, as quais contribuirão para um acréscimo de
conhecimento.
A essas ideias associamos nossas
convicções sobre o brincar como prática pedagógica, sendo um recurso que pode
contribuir não só para o desenvolvimento infantil, como também para o cultural.
Brincar não é apenas ter um momento reservado para deixar a criança à vontade
em um espaço com ou sem brinquedos e sim um momento que podemos ensinar e
aprender muito com elas. A atividade lúdica permite que a criança se prepare
para a vida, entre o mundo físico e social. Observamos, deste modo que a vida da
criança gira em torno do brincar, é por essa razão que pedagogos têm utilizado
a brincadeira na educação, por ser uma peça importante na formação da
personalidade, tornando-se uma forma de construção de conhecimento.
Finalizando Gonzaga (2009, p. 39), aponta:
(...) a essência do
bom professor está na habilidade de planejar metas para aprendizagem das
crianças, mediar suas experiências, auxiliar no uso das diferentes linguagens,
realizar intervenções e mudar a rota quando necessário. Talvez, os bons professores
sejam os que respeitam as crianças e por isso levam qualidade lúdica para a sua
prática pedagógica.
Importante para o desenvolvimento,
físico, intelectual e social, o jogo vem ampliando sua importância deixando de
ser um simples divertimento e tornando-se ponte entre a infância e a vida
adulta. Vygotsky (1998) afirma que o jogo infantil transforma a criança, graças
à imaginação, os objetivos produzidos socialmente. Assim, seu uso é favorecido
pelo contexto lúdico, oferecendo à criança a oportunidade de utilizar a
criatividade, o domínio de si, à firmação da personalidade, e o imprevisível.
De acordo com Kishimoto (2002)
o jogo é considerado uma atividade lúdica que tem valor educacional, a
utilização do mesmo no ambiente escolar traz muitas vantagens para o processo
de ensino aprendizagem, o jogo é um impulso natural da criança funcionando,
como um grande motivador, é através do jogo obtém prazer e realiza um esforço
espontâneo e voluntário para atingir o objetivo, o jogo mobiliza esquemas
mentais, e estimula o pensamento, a ordenação de tempo e espaço, integra várias
dimensões da personalidade, afetiva, social, motora e cognitiva.
O desenvolvimento da criança e
seu consequente aprendizado ocorrem quando participa ativamente, seja
discutindo as regras do jogo, seja propondo soluções para resolvê-los. É de
extrema importância que o professor também participe e que proponha desafios em
busca de uma solução e de participação coletiva, o papel do educador neste caso
será de incentivador da atividade. A intervenção do professor é necessária e
conveniente no processo de ensino-aprendizagem, além da interação social, ser
indispensável para o desenvolvimento do conhecimento.
De acordo com o Referencial
Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 23, v.01):
Educar significa,
portanto, propiciar situações de cuidado, brincadeiras e aprendizagem
orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento
das capacidades infantis de relação interpessoal de ser e estar com os outros
em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas
crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural.
Por isso o educador é a peça
fundamental nesse processo, devendo ser um elemento essencial. Educar não se
limita em repassar informações ou mostrar apenas um caminho, mas ajudar a
criança a tomar consciência de si mesmo, e da sociedade. É oferecer várias
ferramentas para que a pessoa possa escolher caminhos, aquele que for
compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias
adversas que cada um irá encontrar. Nessa perspectiva, segundo o Referencial
Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 30, v.01):
O professor é
mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e
propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e
capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus
conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de
conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor
constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja
função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não
discriminatório de experiências educativas e sociais variadas.
Educar é acima de tudo a
inter-relação entre os sentimentos, os afetos e a construção do conhecimento.
Segundo este processo educativo, a afetividade ganha destaque, pois acreditamos
que a interação afetiva ajuda mais a compreender e modificar o raciocínio do
aluno. E muitos educadores têm a concepção que se aprende através da repetição,
não tendo criatividade e nem vontade de tornar a aula mais alegre e
interessante, fazendo com que os alunos mantenham distantes, perdendo com isso
a afetividade e o carinho que são necessários para a educação.
A criança necessita de
estabilidade emocional para se envolver com a aprendizagem. O afeto pode ser
uma maneira eficaz de aproximar o sujeito e a ludicidade em parceria com
professor-aluno, ajuda a enriquecer o processo de ensino-aprendizagem. E quando
o educador dá ênfase às metodologias que alicerçam as atividades lúdicas,
percebe-se um maior encantamento do aluno, pois se aprende brincando.
Santos (2002) refere-se ao
significado da palavra ludicidade que vem do latim ludus e
significa brincar. Onde neste brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e
divertimentos, tendo como função educativa do jogo o aperfeiçoamento da
aprendizagem do indivíduo.
Assim, a ludicidade tem
conquistado um espaço na educação infantil. O brinquedo é a essência da
infância e permite um trabalho pedagógico que possibilita a produção de
conhecimento da criança. Ela estabelece com o brinquedo uma relação natural e
consegue extravasar suas angústias e entusiasmos, suas alegrias e tristezas,
suas agressividades e passividades.
Ainda Santos (2002, p. 12) relata
sobre a ludicidade como sendo:
“(...) uma
necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como
diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o
desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental,
prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização,
comunicação, expressão e construção de conhecimento.”
Ao assumir a função lúdica e educativa,
a brincadeira propicia diversão, prazer, potencializa a exploração e a
construção do conhecimento. Brincar é uma experiência fundamental para qualquer
idade, principalmente para as crianças da Educação Infantil.
Dessa forma, a brincadeira já não
deve ser mais atividade utilizada pelo professor apenas para recrear as
crianças, mas como atividade em si mesma, que faça parte do plano de aula da
escola. Pois, de acordo com Vygotsky (1998) é no brinquedo que a criança
aprende a agir numa esfera cognitiva. Porque ela transfere para o mesmo sua
imaginação e, além disso, cria seu imaginário do mundo de faz de conta.
Portanto, cabe ao educador criar um
ambiente que reúna os elementos de motivação para as crianças. Criar atividades
que proporcionam conceitos que preparam para a leitura, para os números,
conceitos de lógica que envolve classificação, ordenação, dentre outros.
Motivar os alunos a trabalhar em equipe na resolução de problemas, aprendendo
assim expressar seus próprios pontos de vista em relação ao outro.
Oliveira (1997, p. 61) afirma que:
A implicação dessa
concepção de Vygotsky para o ensino escolar é imediata. Se o aprendizado
impulsiona o desenvolvimento, então a escola tem um papel essencial na
construção do ser psicológico adulto dos indivíduos que vivem em sociedades
escolarizadas. Mas o desempenho desse papel só se dará adequadamente quando,
conhecendo o nível de desenvolvimento dos alunos, a escola dirigir o ensino não
para as etapas de desenvolvimento ainda não incorporados pelos alunos, funcionando
realmente como um motor de novas conquistas psicológicas. Para a criança que
freqüenta a escola, o aprendizado escolar é elemento central no seu
desenvolvimento.
O processo de ensino e aprendizagem
na escola deve ser construído, então, tomando como ponto de partida o nível de
desenvolvimento real da criança, num dado momento e com sua relação a um
determinado conteúdo a ser desenvolvido, e como ponto de chegada os objetivos
estabelecidos pela escola, supostamente adequados à faixa etária e ao nível de
conhecimentos e habilidades de cada grupo de crianças. O percurso a ser seguido
nesse processo estará demarcado pelas possibilidades das crianças, isto é, pelo
seu nível de desenvolvimento potencial.
Enfim, estar ao lado do aluno,
acompanhando seu desenvolvimento, para levantar problemas que o leve a formular
hipóteses. Brinquedos adequados para idade, com objetivo de proporcionar o
desenvolvimento infantil e a aquisição de conhecimentos em todos os aspectos.
A partir da leitura desses autores
podemos verificar que a ludicidade, as brincadeiras, os brinquedos e os jogos
são meios que a criança utiliza para se relacionar com o ambiente físico e
social de onde vive, despertando sua curiosidade e ampliando seus conhecimentos
e suas habilidades, nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e
cognitivo, e assim, temos os fundamentos teóricos para deduzirmos a importância
que deve ser dada à experiência da educação infantil.
6. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A partir de pesquisa bibliográfica
vemos que a criança aprende enquanto brinca. De alguma forma a brincadeira se
faz presente e acrescenta elementos indispensáveis ao relacionamento com outras
pessoas. Assim, a criança estabelece com os jogos e as brincadeiras uma
relação natural e consegue extravasar suas tristezas e alegrias, angústias,
entusiasmos, passividades e agressividades, é por meio da brincadeira que a
criança envolve-se no jogo e partilha com o outro, se conhece e conhece o
outro.
Além da interação, a brincadeira, o
brinquedo e o jogo proporcionam, são fundamentais como mecanismo para
desenvolver a memória, a linguagem, a atenção, a percepção, a criatividade e
habilidade para melhor desenvolver a aprendizagem. Brincando e jogando a
criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua
futura atuação profissional, tais como atenção, afetividade, o hábito de
concentrar-se, dentre outras habilidades. Nessa perspectiva, as brincadeiras,
os brinquedos e os jogos vêm contribuir significamente para o importante
desenvolvimento das estruturas psicológicas e cognitivas do aluno.
Vemos que a ludicidade é uma
necessidade do ser humano em qualquer idade, mas principalmente na infância, na
qual ela deve ser vivenciada, não apenas como diversão, mas com objetivo de
desenvolver as potencialidades da criança, visto que o conhecimento é
construído pelas relações inter-pessoais e trocas recíprocas que se estabelecem
durante toda a formação integral da criança.
Portanto, a introdução de jogos
e atividades lúdicas no cotidiano escolar é muito importante, devido à
influencia que os mesmos exercem frente aos alunos, pois quando eles estão
envolvidos emocionalmente na ação, torna-se mais fácil e dinâmico o processo de
ensino e aprendizagem.
Conclui-se que o aspecto lúdico
voltado para as crianças facilita a aprendizagem e o desenvolvimento integral
nos aspectos físico, social, cultural, afetivo e cognitivo. Enfim, desenvolve o
indivíduo como um todo, sendo assim, a educação infantil deve considerar o
lúdico como parceiro e utilizá-lo amplamente para atuar no desenvolvimento e na
aprendizagem da criança.
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[1]Artigo Final elaborado como
requisito parcial para obtenção do grau de licenciado/bacharel em Pedagogia,
sob a Orientação da Professora Esp. Maria Ângela Garcia de Almeida. Centro
Universitário de Maringá – CESUMAR, Maringá – Paraná, Novembro de 2009.
mangela@cesumar.br
[2]Acadêmica do 4º ano de Pedagogia
Noturno do Centro Universitário de Maringá – CESUMAR, Maringá – Paraná.
Professora de Educação Infantil de Instituição Privada.
faby_bibia@yahoo.com.br.
Por Fabiane das Neves Fantacholi
_______________________________________________________________
A Contação de
Historias no psiquismo infantil
Ouvir história é recuperar a herança
empírica do homem, seus medos, descobertas e desejos. As crianças sabem muito
bem o que é essa herança empírica no turbilhão de sentimentos que vivenciam, é
onde entra a figura do professor/contador de histórias como mediador deste
processo de aprendizagem de lidar com as emoções.
Para a criança muitos de seus
sentimentos são tão confusos, perturbadores e dolorosos que é difícil
administrá-los, trazendo assim infelicidade. Essa energia emocional fica
represada e acaba vazando na forma de sintomas físicos, neuróticos ou
comportamentais, como crueldade, comportamento agressivo, dificuldade de
aprendizado, enurese noturna, falta de concentração, hiperatividade, obsessões,
ansiedade, etc.
Apesar das crianças precisarem de
ajuda para lidar com seus sentimentos estas não conseguem falar com
naturalidade e facilidade sobre seus problemas, isto porque não estão
habituadas à linguagem cotidiana, para elas esta não é a linguagem do
sentimento, elas se expressam melhor através da metáfora, da imagem como em
histórias e sonhos.
A comunicação por meio da narração de
histórias fala as crianças mais profundamente do que a linguagem literal, a
linguagem do pensamento; dramatizar com bonecos ou fantoches, representando
aquilo que se quer dizer através do desenho ou pintura é fazer uso da linguagem
imaginativa, essa é naturalmente a linguagem infantil.
Nas histórias, o mal está tão
presente quanto o bem, existem inúmeros obstáculos a serem vencidos, aparecendo
escolhas de solução que permitem que a vitória aconteça. Todos esses aspectos
fazem parte da vida psíquica da criança, formalizando o processo de
identificação.
Aquele herói que luta e vence mostra
a possibilidade de não desistir diante dos problemas da vida real e ter forças
para superar todos os desafios. Os seres que figuram o mal significam o aspecto
instintivo do homem e, ao serem subjugados, criam a possibilidade de equilíbrio
entre a natureza animal/instintiva e a humana.
De acordo com Bettelheim (ibid.),
esses seres são criações do imaginário, fantasmas que a criança carrega dentro
dela: medo do abandono dos pais, de ser devorada e da rivalidade com irmãos. As
histórias contadas minimizam essas angústias e trazem paz as crianças porque
essas energias maléficas são destruídas e “tudo acaba bem” no final do conto.
Ainda citando Bettelheim, a narração
oral é um caminho para o desenvolvimento da maturidade e sedimentação da
individualidade, da autovalorização e da projeção de um futuro esperançoso,
gerando o abandono das dependências infantis e abrindo espaço para o convívio
com a obrigação moral e a convivência social pautada na consideração ao outro.
É isto que a história faz, ela
apresenta mecanismos para enfrentar os problemas de uma maneira saudável e
criativa, levando a criança ao um mundo maravilhoso onde os processos
vivenciados pelos personagens e suas aventuras são repletas de significados, a
criança sente isso, ela entra no mundo da história, um mundo de esperança,
opções e possibilidades: opções sobre o que fazer diante de um grande
obstáculo, possibilidades e soluções criativas para a superação dos problemas e
como lidar com as emoções.
As narrativas em sala de aula são
ótimas ferramentas para o desenvolvimento da subjetividade das crianças, o
conto permite que esta experimente emoções, vivencie-as em sua fantasia, sem
que precise passar pelas mesmas situações na realidade, além disso, a história
oferece a criança uma nova forma de pensar sobre os seus sentimentos difíceis,
sentimentos dolorosos ou intensos demais (como um luto, o nascimento de um
irmão, a adaptação escolar, etc.).
Os contos de fadas são as únicas
histórias que de maneira simples e simbólica falam das perdas, da fome, da
morte, do medo, do abandono, da violência... Eles têm suas bases nas camadas do
inconsciente coletivo, em sentimentos comuns a toda a humanidade, por isso
encontramos histórias bastante parecidas em diversas culturas pelo globo e em
épocas diversas. Os contos de fadas possuem um fundo arquetípico, sentimentos
complexos organizados de um modo fácil de entender especialmente pelas
crianças, mostram que é natural ter pensamentos destrutivos e maus, que não se
é essencialmente construtivo e bom e que é preciso ordenar os sentimentos e as
tendências contraditórias.
A Contação de Historias na transição da Educação Infantil para o Ensino
Fundamental
Toda construção do imaginário da
criança ocorre em torno do ingresso no Ensino Fundamental. Este é considerado
como um dos principais ritos sociais ao qual a criança é submetida pode
significar alem disso, a afirmação de um status de personalidade quanto ao
acesso ao mundo da leitura e escrita. Por isso é um momento carregado de
empolgação e euforia, e também, pressão social e medo.
Diante disto e preciso planejar o
processo de transição que ocorrerá a fim de minimizar o stress na criança. Um
elevado nível de stress pode deixar marcas a curto e longo prazo, causar
distúrbios e interferir no processo de aprendizagem.
A contação de histórias é um
instrumento de grande valia nessa de transição, apesar da ausência de estudos
avaliativos neste campo, pois ao ouvir uma história que relate sua trajetória
até o momento e que ainda antecipa o futuro que a nova fase escolar lhe
reserva, a criança elabora o inevitável rompimento dos vínculos estabelecidos
nessa fase e se prepara para uma nova etapa, diminuindo assim o próprio nível
de stress, o medo e a insegurança.
Referencias Bibliográficas
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 9. ed. Rio de
Janeiro: Paz e Terra; 1980.
GASPAR, Antônio C. C., DAMASCENO,
Daisy H. S. A transição entre a educação
infantil e o ensino fundamental. Col. Educativa Especial – Educativa
a revista do professor. São Paulo: Editora Minuano, Ano I, n.05.
SUNDERLAND, Margot. O valor terapêutico de contar histórias. São Paulo:
Editora Cultrix, 2005.
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A Ausência dos Familiares
no Processo de Construção dos Saberes: Saber Ser e Saber Agir de Seus Filhos Na
Educação Profissional
Índice
1. RESUMO
Os
valores desempenham um papel principal na história da sociedade e indivíduos. A
construção de valores nos indivíduos é realizada por meio de um processo lento
e gradativo. As famílias transferiram para as escolas técnicas a
responsabilidade da formação dos valores ser e agir que são essenciais para a
interação com o meio em que vivem e o mercado de trabalho. Este estudo tem como
objetivo contribuir com o processo de construção dos saberes ser e agir no
ensino profissionalizante e conscientizar a família sobre a importância de ser
a grande parceira que é essencial neste processo. Trata-se de uma pesquisa
quantitativa, adequado quando se deseja conhecer a extensão do objeto de
estudo. A amostragem retirada foi por conveniência, este tipo de amostra é
selecionada, por alguma conveniência do pesquisador. A coleta foi realizada por
meio da aplicação de 20 questionários para 20 famílias de 20 alunos dos cursos
Técnico em Vestuário e Técnico em Design de Moda da Escola Técnica SENAI
Caruaru. A análise dos dados é tratada de forma quantitativa, adequado quando
se deseja conhecer a extensão do objeto de estudo e foram apresentados por meio
de gráficos para facilitar a interpretação dos dados. A partir da análise
realizada identificaram-se alguns resultados: do total da amostra pesquisada, a
maior parte dos pais trabalham fora de casa e passam aproximadamente 4 horas
com seus filhos. Neste período a maioria dos familiares não aproveita para
estar com seus filhos a fim de realizar atividades que possibilitem uma
integração e conhecimento mútuo. Os pais precisam de uma maior integração com a
escola, pois muitos só comparecem na instituição quando são solicitados pela
mesma.
Palavras-chave: relação família-escola,
construção de valores, saber ser e agir.
2. INTRODUÇÃO
Historicamente,
as Escolas Técnicas eram destinadas a formar profissionais para atuar no
mercado de trabalho com habilidades manuais, falando dos pilares da educação,
imperava o saber e saber fazer. Hoje o cenário da educação profissionalizante
passa por mudanças constantes, a disciplina, o bom comportamento, atitudes,
relacionamento interpessoal estão sendo abordados tanto quanto o
desenvolvimento da competência do saber e saber fazer. O saber ser e o saber
agir está sendo uma responsabilidade transferida dos familiares para as Escolas
Técnicas.
A base
dos eixos fundamentais que orientam a vida e constituem a chave do
comportamento humano, segundo Izquierdo Moreno (2001, p. 5), são os valores.
Esses destoam do cenário que configura nossa realidade, necessitando ser
resgatados e incentivados em todas as esferas do desenvolvimento e convívio
humano.
A
família precisa assumir seu papel na educação dos filhos em parceria com as
escolas técnicas que seu papel é proporcionar uma profissão e prepará-lo para o
mercado de trabalho, que somente a escola não consegue dar conta de fornecer a
educação básica e uma formação profissionalizante.
O
problema estabelecido pelo presente trabalho consiste no seguinte
questionamento:
- Por que os familiares estão ausentes no processo de construção dos saberes
ser e agir de seus filhos na educação profissional?
O tipo
de investigação escolhida para o desenvolvimento do trabalho é a pesquisa de
campo, pois ela é realizada no local, onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que
dispõe de elementos para explicá-lo.
3. JUSTIFICATIVA
O
ensino profissionalizante brasileiro é reconhecido como uma das pontas
fundamentais na educação do país. O objetivo da educação profissionalizante é
abrir os olhos dos alunos em uma pespectiva de trabalho e facilitar o acesso ao
mercado de trabalho que a cada ano torna-se mais competitivo e quem se destaca
é porque possui um diferencial. O conhecimento técnico não está sendo visto
como principal diferencial de um profissional e sim a habilidade de se
relacionar bem com os outros.
As atitudes
e a disciplina dos jovens estudantes estão sendo acompanhadas e ensinadas pela
comunidade escolar, além de oferecer a competência do saber e saber fazer, que
muitas vezes não possui o apoio da família e sim a indisponibilidade para
tratar dos problemas e desconfortos que seus próprios filhos causam,
prejudicando o ingresso do jovem no mercado de trabalho e indo de encontro com
o objetivo principal da instituição.
A
discussão sobre como envolver a família no processo de aprendizagem na escola
não é recente, promover a co-responsabilidade exige desafios. Mas a mudança e a
perspectiva de integração entre família e escola devem ser incentivados e
analisados constantemente.
A
pesquisa se faz necessária para contribuir no processo de ensino-aprendizagem
do adolescente que procura uma formação técnica, pois somente com a família
interagindo com as escolas técnicas é que terá além de uma boa formação, uma
preparação para tomar atitudes para enfrentrar as dificuldades que certamente
virão no mercado de trabalho.
4. OBJETIVOS
4.1
OBJETIVO GERAL
Contribuir
com o processo de construção dos saberes ser e agir no ensino
profissionalizante e conscientizar a família sobre a importância de ser a
grande parceira que é essencial neste processo.
4.2
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Identificar as possíveis causas da
ausência dos responsáveis diretos no acompanhamento da aprendizagem e
atitudes dos filhos;
- Investigar estratégias para aproximar a
família da escola técnica;
- Colaborar na conscientização da
participação da família no processo da construção dos saberes em parceria
com a escola;
5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
5.1
APARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR
A
parceria entre familiares e as instituições de ensino seja a educação formal ou
a técnica, é concretizada quando ambos estão unidos em um único objetivo,
formar cidadãos conscientes da sociedade em que habitam, com valores éticos e
morais e com uma perspectiva de um futuro promissor. A família pode participar
de várias maneiras na vida educacional do estudante, segundo Freitas, Maimoni
& Siqueira, (1994) e de Maimoni & Miranda, (1999), elas podem:
acompanhar tarefas e trabalhos escolares, verificar se o filho fez as
atividades solicitadas pelo docente, estabelecer horário de estudo, informar-
se sobre matérias e provas, entre outras.
Há
vários modelos de famílias, não existe somente um tipo de família na sociedade
brasileira, mas existem singularidades entre elas. É possível afirmar que cada
família possui sua identidade e estão em constante evolução, constituídas com o
intuito básico de prover a subsistência de seus integrantes.
Por
meio do desenvolvimento tecnológico, não somente máquinas foram modificadas, a
sociedade também passa por transformações no estilo de vida e as relações que
estabelecemos com nossos semelhantes. O mundo virtual que é a nova maneira de
interação e relacionamento entre as pessoas, em que em questão de segundos há o
processo de comunicação com outros indivíduos que estão a milhares de
quilômetros de distância, ocupando o tempo que antes poderia ser utilizado com
uma conversa ou atividades que poderiam interagir e unir os membros da família.
Segundo
Ackerman (1986, p. 17), o momento histórico em que nos encontramos,
tem alterado a configuração da vida familiar e tem abalado os
padrões estabelecidos de Indivíduo, Família e Sociedade. [...] Seres humanos e
relações humanas foram lançados em um estado de turbulência, enquanto a máquina
cresce muito, à frente da sabedoria do homem sobre si mesmo. A redução do
espaço e a intimidade forçada entre as pessoas vivendo em culturas em conflito
exigem um novo entendimento, uma nova visão das relações do homem com o homem e
do homem com a sociedade.
A saída
da mãe para o mercado de trabalho, que é a figura central na educação de seus
filhos, é um dos fatores que tem abalado a relação entre mãe e filho, as
relações de amor, confiança, segurança, relacionamento social são construídas
no decorrer do cotidiano, em um determinado tempo histórico e um delimitado
espaço físico. A nova mãe da sociedade, que trabalha e possui grandes
responsabilidades, muitas vezes não dispõe do tempo necessário para estabelecer
uma relação com seu filho e educá-lo.
Em
relação às perspectivas da família com relação à escola com seus filhos
encontram-se várias idéias de que a instituição escolar “eduque” o filho
naquilo que a família não se julga capaz e que ele seja preparado para obter
êxito profissional e financeiro.
A família não é o único canal pelo qual se pode tratar a questão
da socialização, mas é, sem dúvida, um âmbito privilegiado, uma vez que este
tende a ser o primeiro grupo responsável pela tarefa socializadora. A família
constitui uma das mediações entre o homem e a sociedade. Sob este prisma, a
família não só interioriza aspectos ideológicos dominantes na sociedade, como
projeta, ainda, em outros grupos os modelos de relação criados e recriados
dentro do próprio grupo. (CARVALHO, 2006).
A
formação dos educandos quantos aos valores éticos e o desenvolvimento da
moralidade como também padrões de comportamento muitas vezes é apontada pela
família como responsabilidade apenas da escola, segundo Di Santo (2006), em seu
artigo Família e Escola: uma relação de ajuda relata que atualmente, a família
tem passado para a escola a responsabilidade de instruir e educar seus filhos
inserindo-os na sociedade.
Logo,
deve haver um estreitamento das relações entre família e escola em busca de uma
qualificação com mais qualidade, evitando uma confusa transferência de
responsabilidades entre ambas as partes para alcançar um bom desenvolvimento
saudável dos educandos.
O
primeiro passo para a interação positiva entre a escola e a comunidade é, sem
dúvida, o conhecimento da própria comunidade por parte da escola. Para um
considerável afunilamento desta relação, seria necessário toda a comunidade
escolar, não somente educadores ou gestores, analisar instrumentos que
facilitassem o intercâmbio entre as partes, favorecendo uma relação de
confiança e respeito para com os envolvidos.
Uma das
funções da escola é buscar uma aproximação com as famílias de seus alunos, pois
enquanto instituição de educacional técnica, pode promover atividades como:
interação e apoio com diversos profissionais como psicólogos, fazer visitas aos
familiares, reuniões de pais e mestre com maior frequência, bem como a
realização de trabalhos técnicos com a participação dos familiares para que
estes possam conhecer os conteúdos que seus filhos estão desenvolvendo nas
diversas atividades curriculares, nas proporcioando ligação entre
escola-família- professores.
O papel
a ser exercido pela escola técnica e pelos pais, em se tratando de uma
sociedade que passa por mudanças constantes, é a busca de novas formas e
caminhos para alcançar êxito na formação de valores, pois muitos dos
valores considerados essenciais pela humanidade estão sendo abalados, por isso
a importância de um lugar em que os filhos e estudantes possam se sentir
seguros e confiantes no seu próprio potencial e a escola pode ser este ambiente
quando estiver bem estruturado e apoiado pela família.
5.2
PILARES DA EDUCAÇÃO
Segundo
Jacques Delors (1999), a educação deve organizar-se em torno de quatro
aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo,
para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é,
adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para desenvolver
habilidades motoras; aprender a agir, a fim de participar e cooperar com a
sociedade em todas as atividades humanas, preparar-se para gerir conflitos em
diversas situações, agir com solidariedade respeitando os sentimentos alheios e
a diversidade cultural existente no meio em que vive; finalmente, aprender a ser,
para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada
vez maior capacidade de autonomia, discernimento e de responsabilidade pessoal
fortalecendo um grupo, uma comunidade ou até mesmo o país.
Quando o foco era o posto de trabalho, a qualificação
relacionava-se com o saber técnico a ele relacionado. Com os automatismos
introduzidos nas máquinas, o trabalhador começou a ter de adquirir novas
habilidades, como decodificar novos símbolos, comunicar-se tanto verbalmente
como por escrito, resolver problemas dos novos processos de trabalho, ser
autônomo e ser capaz de antecipar respostas a certos desafios (MEHEDFF, 1996).
As
escolas técnicas são comprometidas com o desenvolvimento de competências e
habilidades voltadas ao trabalhador, buscar “aprender a aprender” e o “aprender
a pensar”. Assim, a competência não se limita ao conhecer/fazer, vai mais além,
porque envolve o agir numa determinada situação. Tal agir supõe a capacidade de
realizar, de abstrair, de emitir respostas criativas frente a situações
inusitadas, de se comunicar eficazmente, de trabalhar de forma cooperativa, em
equipe.
As
habilidades implicam em dimensões variadas: cognitivas, motoras e atitudinais.
Considerando que a competência e as habilidades são formadas ao longo da vida,
exigindo um processo de educação contínua e podem ser desenvolvidas em qualquer
momento da vida de uma pessoa.
5.3
RELAÇÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNOS
A Lei
nº 9.394 da LDB, (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), de 20 de
dezembro de 1996, determina que a educação escolar deve ser oferecida,
predominantemente, por meio do ensino em instituições próprias. O art. 2º da
mencionada Lei dispõe o seguinte:
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.
De
acordo com o artigo citado é dever tanto da família como da escola promover o
desenvolvimento integral do educando, a formação para a cidadania e o
alargamento de qualificações para o mundo do trabalho, porém a sociedade atual
passa por transformações tão intensas que os papéis específicos desempenhados
por ambas as partes estão sendo cada vez mais confundidos.
Diante
dessa realidade, está sendo exigido dos professores mais qualificações, mas não
somente técnicas específicas da área de atuação, mas preparados para as novas
relações pedagógicas, as relações humanas no processo de ensino e aprendizagem.
Na
primeira metade do século XX, alguns estudos revelam, (FURLANI, 1995; ESTEVE,
1999), que a relação entre professor e aluno era baseada na hierarquia social,
na disciplina, na obediência, no respeito, na importância que a sociedade dava
aos conteúdos ministrados pela escola e a atividade docente, pois a família e
escola desempenhavam papéis bem definidos. A família se ocupava com os
ensinamentos e a educação primária com vistas à transmissão de valores. A
escola, por sua vez, era responsável pelos estudos secundários, caracterizada
pela formalidade e racionalidade.
Nas
décadas posteriores, segundo, Tedesco (2002, p.38), produziu-se um processos de
desaparecimento das distinções entre professor e aluno. Desse ponto de vista, a
massificação da escola foi acompanhada por um processo de perda de significação
social das experiências de aprendizagem que nela se realizam.
A
massificação escolar e a horizontalidade entre professor e aluno e a
desvalorização do conteúdo escolar proporcionou um desinteresse pelas experiências
vividas em sala de aula. A indisciplina, a intolerância, a realização de
atividades apenas para atingir a nota e não pela construção do conhecimento,
dificuldades de relacionamentos e trabalho em equipes são alguns aspectos da
educação escolar de hoje.
Por
meio dessa análise, as relações atuais entre professor e aluno podem ser um
instrumento facilitador da aprendizagem, tanto de experiências técnicas e
específicas como da interação entre a a sociedade.
6. METODOLOGIA
6.1
DELINEAMENTO DA PESQUISA
Esta
pesquisa tem o objetivo de identificar quais as estratégias que o SENAI Caruaru
poderá adotar para melhorar o relacionamento entre família e escola. Deste
modo, a pesquisa pode ser classificada quanto aos finsde exploratória, que
segundo Vergara (2005), ela é realizada em área na qual há pouco conhecimento
acumulado e sistematizado sobre o fenômeno a ser explorado. Quanto aos meios de
investigação foi realizada uma pesquisa de campo, pois ela é realizada no
local, residência dos educandos, onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que
dispõe de elementos para explicá-lo.
6.2
DEFINIÇÃO DA AMOSTRA OU POPULAÇÃO-ALVO
Os
sujeitos da pesquisa são os pais ou responsáveis dos alunos matriculados.
A
amostra foi definida pelo método estatístico e que segundo Vergara (2005) as
amostras são divididas em dois tipos: a probabilística e não probabilística.
Existem três tipos de amostragens não probabilísticas: básicas - amostras por
conveniência, amostras intencionais e por quotas. A amostragem escolhida é a
por conveniência, este tipo de amostra é selecionada, por alguma conveniência
do pesquisador. É utilizada, freqüentemente, para testar idéias ou obter idéias
sobre determinado assunto de interesse e prestam-se muito bem aos objetivos da
pesquisa exploratória.
6.3
PLANO DE COLETA DE DADOS
Com
intuito de delimitar as respostas facilitando a mensuração dos resultados e
compreensão, o questionário tem perguntas fechadas. Utilizaremos fonte de dados
primários que no oferecem suporte para direcionar as ações de conscientização.A
coleta foi realizada por meio da aplicação de 20 questionários para 20 famílias
de 20 alunos dos cursos Técnico em Vestuário e Técnico em Design de Moda da
Escola Técnica SENAI Caruaru.
6.4
PLANO DE ANÁLISE DE DADOS
A
análise dos dados é tratada de forma quantitativa, adequado quando se deseja
conhecer a extensão do objeto de estudo. Aplica-se nos casos em que se busca
identificar o grau de conhecimento, as opiniões, impressões, hábitos e
comportamentos. Ou seja, o método quantitativo oferece informações de natureza
mais objetiva e aparente.
Os
dados estão analisados e apresentados em gráficos para facilitar as
conclusões. Seguindo-se a análise, as estratégias para aproximar a
família da escola técnica foram elaboradas para sua implantação.
7. ANÁLISE E DISCUSSÃO
7.1
TRABALHO DOS FAMILIARES FORA DA RESIDÊNCIA
A
pesquisa de campo foi realizada a 20 famílias de 20 alunos dos cursos Técnico
em Vestuário e Técnico em Design de Moda da Escola Técnica SENAI Caruaru.. Os
questionários foram aplicados aos pais e responsáveis destes estudantes.
Identificou-se
que entre os entrevistados, 50% dos responsáveis trabalham fora de casa, 35%
dos responsáneis apenas os pais trabalham e 15% apenas as mães estão ausentes
de casa por um determinado período para promover o sustento de seus lares.
A
porcentagem total em que a mãe está ausente no processo diário de construção da
personalidade dos filhos somam 65%.

Gráfico 1: trabalho dos familiares
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.2
TEMPO APROXIMADO DIÁRIO EM QUE OS PAIS PASSAM COM OS FILHOS
Em
relação ao tempo em que os pais disponibilizam para estar junto dos filhos por
dia, 60% passam aproximadamente 4 horas por dia, 30% estende mais de 4 horas e
apenas 10% convivem aproximadamente 2 horas.
Estes
dados indicam que a família disponibiliza de tempo para estar junto dos filhos
mesmo em sua maioria trabalhando fora de suas residências.

Gráfico 2: tempo disponível
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.3
ATIVIDADES REALIZADAS PELA FAMÍLIA NESTE TEMPO DESPENDIDO
No
gráfico 2 foi identificado que 60% dos familiares dispõe de aproximadamente 4
horas diariamente para realizar diversas atividades com seus filhos a fim de
aproximação, união, construção de conhecimentos entre outras.
As
atividades que as famílias realizam com mais frequência são apontadas por meio
do gráfico 3. Entre os entrevistados, 11% não exercem nenhuma atividade
entre os membros da família, 16% realizam reflexões sobre o dia, 32% das
famílias aproveitam o jantar para conversar e 41% assiste filmes ou outros
programas.
Este
tempo disponível deve ser bem aproveitado para que a família seja unida, para
que conheçam entre si e os pais percebam quais as necessidades específicas de
cada filho para suprí-las.
Muitas
atividades poderiam ser praticadas diariamente, porém os dados apresentaram que
a atividade mais exercida é a de assitir filmes ou programas, que as mesmas não
possibilitam uma interação verbal tendo como consequência o desconhecimento dos
membros entre si.

Gráfico 3: atividades executadas
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.4
CONHECIMENTO DIÁRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS OU A REALIZAR PELO FILHO NAS
INSTITUIÇÕES DE ENSINO O QUAL FAZ PARTE E SUA IMPORTÂNCIA
Quanto
ao conhecimento das atividades desempenhadas pelos filhos nas instituições de
ensino, 100% dos responsáveis sabem o que é realizado, isto demonstra que os
pais possuem interesse no que é realizado por seus filhos.

Gráfico 4: conhecimento das atividades
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.5
OBSERVAÇÕES NO COMPORTAMENTO E ATITUDES DOS FILHOS
A
pesquisa mostra que 50% dos pais observam diariamente as atitudes e
comportamento dos filhos e apenas conversam com eles, demonstrando que ainda
possui um distanciamento da família com a escola, pois a maoria dos
responsáveis não procuram a escola para conhecer melhor as ações dos filhos.
A
porcentagem dos pais que observam, conversam com os filhos diariamente e
procuram informações nas instituições de ensino sobre as atitudes e
comportamento dos mesmos somam 40%.
Em
analogia aos pais que observam diariamente as atitudes e comportamento dos
filhos e não conversam com eles comprovando que há problemas de afinidade e
interesse pelos anseios dos filhos somam 10% e 0% dos pais não observam
diariamente as atitudes e comportamento dos filhos.

Gráfico 5: observação do comportamento
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.6
MOTIVAÇÃO QUANTO AO CUMPRIMENTO DAS NORMAS DAS ESCOLAS
Quanto
as normas das instituições, 75% dos pais conhecem as normas, motiva e acompanha
o cumprimento das mesmas, 25% dos pais apenas conhecem as normas não
incentivando o cumprimento das mesmas refletindo no horário de chegada,
utilização do fardamento, presença durante as disciplinas e motivação para a
realização dos trabalhos solicitados para cumprir a média de cada disciplina.

Gráfico 6: motivação para o cumprimento de normas
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.7
PARTICIPAÇÃO ATIVA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO FREQUENTADAS PELOS FILHOS
A
participação ativa dos pais nas instituições só ocorre quando são chamados pela
escola, pois 70% dos responsáveis visitam apenas quando a presença é solicitada
apresentando um comprometimento negativo dos familiares com a escola e até
mesmo com os filhos. Os pais deveriam visitar as insituições com mais
frequência para haja uma parceria entre as partes interessadas com a educação e
crescimento pessoal e profissional do estudante, quanto aos familiares que
visitam pelo menos duas vezes no decorrer do ano letivo somam 20% e apenas 10%
visitam pelo menos uma vez por ano.

Gráfico 7: participação dos pais nas instituições de ensino
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.8
DIFICULDADES DE RELACIONAMENTO DA FAMÍLIA COM A ESCOLA
Não há
dificuldades que possam impedir a maioria dos familiares de estarem ativos na
participação com a instituição, pois 60% respondeu que não existe dificuldades
de frequentar a escola, 25% alegou o tempodisponível que é justificado pelos
mesmos, alegando que trabalham cada vez mais, não dispondo de tempo para cuidar
dos filhos, além disso, acreditam que educar em sentido amplo é função da
escola.
A
comunicação entre família e escola foi indicado por 10%, comprovando que a
minoria percebe que o relacionamento e a comunicação entre as partes é falho,
pois a família espera da escola, enquanto a escola, afirma que o êxito do
processo educacional depende, e muito, da atuação e participação da família,
que deve estar atenta a todos os aspectos do desenvolvimento do educando e
apenas 5% respondeu qua a localização é um fator dificultador.

Gráfico 8: dificuldades de relacionamento entre família e escola
Fonte: pesquisa realizada, 2009
7.9
PROPOSTA DE MELHORIA
As
sugestões levantadas para melhorar o relacionamento e comunicação entre a
instituição e os responsáveis dos educandos foram:
- Reuniões com maior frequência entre
pais, filhos e a equipe escolar;
- Entrega de boletins mensais para os pais
conhecerem o desempenho do filho no curso;
- Realização de palestras para a família;
- Feedback dos coordenadores diretamente
por telefone aos pais da situação dos filhos;
- Apresentação dos conteúdos ministrados
aos pais para os mesmos saberem a importância do curso;
- Motivação dos pais para frequentar mais
a escola;
- Colocar à disposição da família
profissionais: psicólogos e nutricionistas.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O SENAI
tem um grande nome no mercado devido ao seu histórico e qualidade em seus
produtos e serviços. O produto do SENAI, ou seja, o que ele oferece ao mercado
são jovens capacitados para o mercado de trabalho, mas não somente competências
técnicas, como também qualidade pessoais que são indispensáveis para a era da
informação a qual vivemos.
Essas
qualidades pessoais, são conhecidas como os pilares da educação, são os
saberes: saber, saber ser, saber agir e saber fazer. Quando trata-se do saber
ser e agir a família pode contribuir e fortalecer o SENAI para o ensino-aprendizagem
de seus filhos. A instituição e a família são parceiras neste processo, nenhuma
das partes poderá realizar todo o processo de construção de saberes trabalhando
isoladamente. Ambas as partes precisam se unir a fim de educar e formar técnicos
e profissionais para o mercado de trabalho, como também cidadãos para
fortalecer a sociedade brasileira.
A
instituição pode tomar a iniciativa para fortalecer e aproximar pais – alunos -
escola por meio de palestras que possuam em seu conteúdo informações
interessantes tanto para os pais como para os filhos, atividades que apresentem
o que os estudantes realizam todos os dias em seus respectivos setores, entrega
de boletins para o acompanhamento do progresso do aluno mensalmente, reuniões
com profissionais especializados para interagir a família e tantas outras
atividades que são importantes para a construção de valores em família.
9. REFERÊNCIAS
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N. W. Diagnóstico
e tratamento das relações familiares. Porto
Alegre:
Artes Médicas, 1986.
BRASIL.
Presidência da República. Lei nº
9.394, de 20 de dezembro de 1996: estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Brasília, Diário Oficial da União, 21 de dezembro
de 1996.
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mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru: EDUSC, 1999.
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mito ou nada disso? 4. ed. São Paulo: Cortez, 1995.
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Tesouro a Descobrir. São Paulo: Cortez, 1999.
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Humanas e Artes (CD-room), Viçosa (MG).
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pacto educativo: Educação,
competitividade e cidadania na sociedade moderna. São Paulo: Ática, 2002.
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e relatórios de pesquisa em administração. 6 ed.
São Paulo: Atlas, 2005.